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PRESENTE DE NATAL

4b308fa5fc3ab675763b3151d0237b4dOntem eu chorei!

Mergulhei fundo na imagem travestida de mim mesmo, na colonização dos meus sonhos, percebi o quanto tinha me tornado “o estranho de mim”. Já não era o sujeito do “meu ser feliz”, tinha me tornado um misto de incapacidade, uma pitada de acomodação, um pouco do teu frustado desejo, muito do teu lucro e quase nada, de meu encantado sonho, o sonho de ser único. Único na capacidade de prover e nutrir o espírito, que visa cumprir seu desígnio original, o amoroso e fraterno ensinamento Daquele que resignadamente abriu os braços, para que pudéssemos ser todos iguais, sem deixarmos de sermos únicos e completos. Um possível Ser Feliz!

Jesus existiu!? Sua história é verdadeira? Pouco importa. Acredito que sua legitimidade reside no que fazemos com seu real ou suposto legado, penso…

Hoje, quando volto para o reflexo da imagem recepcionada no espelho da saudade percebo o porquê tinha me tornado um triste e um vazio de esperança na vida e em mim. Não conseguia mais reconhecer a incondicionalidade e as probabilidades do amor. Não reconhecia mais aqueles braços abertos que nos acolheu indicando o caminho único – viver intensamente o aprendizado diário, o pulsar daquele coração que nos apontava o caminho de Ser Feliz!

Chorava, pois não sabia mais ser “Eu”, estar vivo já não era o suficiente. Tinha perdido a capacidade de ser sujeito único de minha vida, acumulava necessidades, não minhas, e valores que não valoravam a unidade. Me via apartado não só de mim, mas da esperança, pois o hoje já era o amanhã – uma realidade distorcida e contínua, produzida pela inconsciência de acumular ilusões e migalhando pequenos sabores de um pão que não nutria. Tinha perdido a capacidade de ser simples e simplificar a felicidade, sem me tornar um simplista; tinha vulgarizado a felicidade, sofisticado e engendrado o amor.
Então é Natal, tempo de dar e receber presentes, portanto quero te convidar a celebrar a vida, o maior dos presentes. A melancolia não mais me fará um ser que se amiúda, com sentimentos da derrota e fracasso, visto que só posso perder para mim e para a imposta ilusão do não vencedor. Não quero mais este sentimento generalizado de competição, que nos faz pensar obstinadamente no vencer o outro, esquecendo que me torno outro quando faço do outro um perdedor, e, eu aquele que se perde tornando-o um perdedor. Desejo natalinamente aliar-me a Ele que nos legou a semente da fé. Fé não no outro, mas em mim, morada do Divino: eu, você e todos nós hospedeiros da Vida. Somos iguais na diferença e diferentes na igualdade, apenas desiguais na forma. Contudo, únicos na intenção e no propósito da existência – “Ser Feliz”.

Hoje relembrei: não me falta nada que me inviabilize, sou completo e pleno em possibilidades. Fomos instrumentalizados para viver e superar-se dentro das nossas compreensões, temos capacidade de amar e sermos amados, chorar, sorrir, perdoar, comunicar, trabalhar, produzir, partilhar e multiplicar. Porém, muitas vezes nos esquecemos destas qualidades, pois somos apelados a construir uma vida voltada ao “ter” e do “parecer” em detrimento do “ser”.

O Natal é um presente, pois em alguma medida permite-nos repensar a nossa jornada. Por isso, faço-te um convite: venha participar desta ceia, presenteie-se com a consciência de tua potencialidade e capacidade de gerar felicidade. Faça da tua Luz uma estrela guia a todos que esqueceram que é possível e plenamente natural – SER FELIZ. Não nos falta nada, somente relembrar a consciência de estarmos vivos, e que, as possibilidades, nem sempre são iguais ou justas, mas que podemos ser justos conosco, não aquiescendo a renúncia da Vida, afinal nascemos ou renascemos para a existência quando a consciência recai sobre a auto atribuição.

O natal deveria acontecer a cada despertar…

Carinhosamente,
Ami. Seja Feliz!

Cedaior da Silveira

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