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Filhos – Dos sem tempo!

90e01c0618a5a936c4c46d6cf0f25724Houve um tempo em que ser Feliz era algo natural e compartilhado de maneira muito simples, sem esforço ou complicações, as pessoas conheciam a si e as outras, havia tempo e inocência para ser Feliz.

O que mudou ou fez mudar? Será que é necessária a inocência para ser Feliz? E o tempo é condição para felicidade?

São tantas perguntas, muitas opiniões, recomendações e diversas compensações, porém, no lugar de respostas, encontramos justificativas e uma eufórica resignação.

Você recorda, ou recordar é um ranço do passado, quando as famílias, de maneira geral, eram compostas de “pais e filhos” e […] e isto, singelamente era motivo de alegria e harmonia, assim como dos seus membros, com ou sem diferenças ou desencontros, era possível partilhar de um crescer individual e coletivo, saudável e necessário. Havia tempo para os pais serem pais, e, os filhos para serem filhos; tempo de errar e aprender, não havia esta necessidade maléfica de serem perfeitos, idealizados e somente competitivos, assim cresciam sem perderem a capacidade de serem humanos e naturalmente Felizes, sem engendrações ou adereços consumistas.

A estrutura familiar mudou e muito. Hoje, a família é composta de: pais que trabalham e competem…, mães que se desdobram em jornadas, às vezes, tripulas, e os filhos com seus afetos e jogos virtuais, aulas de dança, língua estrangeira, reforço escolar, música, teatro, informática etc. É um amontoado de compensações e tarefas, crianças que cumprem agendas tirânicas que apenas subtraem infâncias, rotinas comprometidas somente com o amanhã, mas, inapelavelmente sem tempo para o hoje. O presente é a semente do amanhã, perdemos a oportunidade do hoje escravizados por falsas necessidades, então como construir um Ser capaz de ser Feliz hoje e amanhã?

Vale lembrar que o bom do fim do semana reside exatamente porque temos os dias que o antecedem!

Claro que as necessidades financeiras em uma sociedade competitiva nos empurram para uma postura voltada para o “mercado de consumo”, afinal não podemos desprezá-lo, pois é ele que move a economia, porém, este, não tem alma e muito menos sentimentos.

Dentro desta “sociedade mercado” somos todos produtos e assim perdemos a inata qualidade humana, ou seja, a singularidade e a individualidade, nesta cruel realidade, passamos a condição de estereótipos de consumo. A selvageria do deus Cronos não concede o nosso saudável tempo de cada dia, apenas concede a tentativa de começar e terminar as nossas “famílias”. Será que deve ser assim? Ou temos outras escolhas?

Com a dita modernidade tivemos grandes avanços como os da ciência e suas decorrências, facilidades e progressos, contudo, a modernidade criou o mercado e todas suas atribuições e atropelos, esta competitividade de mercado supriu-nos a inocência e a simplicidade, tornamo-nos seres modernos e ocupados, sem tempo ou condição de enxergarmos a nós, como humanos, com necessidades do espírito e não somente da carne.

A carne necessita de alimento, moradia, vestuário e algumas futilidades, já o espírito necessidade de amor próprio, carinho a si e ao próximo, assim como respeito a vida. A vida para o espírito, é capacidade de nos reproduzirmos, como humanos, guiados pelo Divino. O ser humano como Centro.

Quando perdemos a capacidade de encontrar a felicidade no convívio familiar, possivelmente já tenhamos perdido a capacidade natural do Ser, assim como de reconhecer nos seus e no seu próximo, portanto, o outro torna-se um rival, de seu tempo e espaço; e, por uma decorrência simples, o ato de ser feliz, tornou-se uma “vitória”, àqueles que tenham atingido o status de seres respeitados no mundo encantado do mercado, esquecendo que a sociedade é a família de todas as famílias e o espaço profícuo, e que deve ser respeitado, como condição natural de todos os humanos expressarem a prerrogativa original de vivificar naturalmente e democraticamente a felicidade.

O tempo do espírito é distinto do tempo de mercado, pois elege um tempo que é distinto do tempo de mercado, assim o espírito elege o ser humano como Centro e não o Mercado!.

Seja Feliz!
Cedaior da Silveira

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